Pureza X Forma

Fernando Terra Manzan

Há pelo menos 50 anos alguns produtores utilizam o melhoramento genético doloso com o objetivo de melhorar a forma técnica das espécies. Certamente tudo começou quando, dentro deste processo, algum resultado melhorado assemelhou-se a uma das espécies utilizadas.
Nesse momento as genealogias começaram a ser adulteradas ou, no mínimo, omitidas, na tentativa de disponibilizar estas plantas para o mercado dos colecionadores de espécies.
As espécies do gênero Cattleya foram as que mais sofreram e ainda sofrem com tudo isso, porém há algumas décadas, várias espécies de vários gêneros também passam por esse tipo de problema.
As espécies além de possuírem características marcantes, possuem limites para o melhoramento, mesmo que desconhecidos, mas que ultrapassados, certamente trarão a descaracterização de algumas destas características e, consequentemente, das espécies.
Infelizmente não é raro nos depararmos com colecionadores e com produtores que não se preocupam em ultrapassar estes limites, onde a beleza da pureza de detalhes de uma espécie não vale nada diante da boa forma dubitável.
Como apaixonados por orquídeas em geral nos perguntamos o porque da existência e, principalmente, da continuidade de todo esse trabalho de melhoramento doloso se as espécies possuem limites para sua descaracterização?